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A cidade se prepara para as chuvas

Segunda, 06 Fevereiro 2012 15:58

Vias alagadas viram preocupação constante quando chega o período chuvoso. Para a Cagece, o foco dos esforços nessa época é minimizar os transtornos à população, reforçando medidas de prevenção, como também intensificando ação de conscientização às pessoas para a utilização adequada dos sistemas de esgoto e drenagem.

No contexto da prevenção, a Cagece intensifica a limpeza de suas redes coletoras de esgoto, poços de visita, todas as 40 estações de tratamento de esgoto, além das mais de 80 estações elevatórias de esgoto. Além destas ações, a partir de março será iniciada a limpeza do Interceptor Leste, tubulação situada na Avenida Beira Mar. A estimativa é retirar cerca de 4 mil toneladas de sedimentos do seu interior - que não deveriam estar lá, num investimento de R$ 2,4 milhões.

Ações educativas também são importantes para ensinar como diferenciar os sistemas de esgotamento sanitário e drenagem pluvial, tendo em vista que, apesar de princípios de funcionamento serem parecidos, os objetivos são totalmente diferentes. As redes coletoras devem receber somente esgoto, que é líquido que contém resíduo da atividade humana; no caso de residências, águas de banheiros e cozinhas, juntamente com os dejetos. Vale ressaltar que antes de ser disposto no meio ambiente, estas águas devem passar por Estações de Tratamento, evitando assim, riscos de impacto ambiental e de saúde pública. Já o sistema de drenagem pluvial recolhe as águas de chuva que escoam superficialmente de quintais e ruas, realizando o transporte para mananciais, evitando assim, pontos de alagamentos. Neste sistema não se faz necessário tratamento da água.

Confundir esgoto e drenagem prejudica o meio ambiente, além de diminuir a qualidade de vida. Quando a água de chuva é direcionada à rede de esgoto, esta última transborda pelos poços de visita, junto com o efluente. Quando o lixo é colocado dentro do sistema de esgoto, ocorrem obstruções que ocasionam transbordamentos. Quando o esgoto dos banheiros vai para a rede de drenagem, acaba sem tratamento nos mananciais.

Portanto, além de fiscalizar o trabalho da Cagece a população deve ser parceira, fazendo a sua parte. Cada imóvel deve ser interligar devidamente à rede de esgoto e encaminhar água de chuva para o sistema de drenagem. Desta forma, garantiremos a eficácia do saneamento básico como instrumento promotor de saúde.

André Facó, diretor de Operações da Cagece

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Fortaleza tem hoje uma cobertura de 53,60% do seu território com rede de esgoto. Durante algum tempo, este número foi satisfatório dentro da realidade de uma cidade que pulsava em bairros como Aldeota, Centro e circunvizinhanças.

Porém, o crescimento da Capital para outras regiões e o aumento populacional, fizeram com que seja premente o incremento de serviços de água e a expansão do esgoto, a fim de dotar de infraestrutura novas áreas de Fortaleza.

Nesse cenário, a Companhia trabalha para elaborar projetos, assegurar recursos e executar obras como forma de tornar tangível o compromisso firmado pela gestão Cid Gomes de universalizar a água e o esgoto até 2020, na Capital. Só este ano já foram captados somente junto ao Ministério das Cidades, no âmbito do PAC, R$ 256 milhões e através do Governo do Estado, mais R$ 24,9 milhões. Ademais, estão em andamento grandes ações como a construção da ETA Oeste, a implantação do Macrossistema de Esgoto da Capital, que permitirá que 235 mil pessoas de 20 bairros da sub-bacias do rio Cocó tenham esgoto em sua casa, e  obras de esgotamento sanitário em 17 bairros da sub-bacia do rio Maranguapinho.

Para dar continuidade a este esforço, é preciso que as esferas públicas envolvidas na questão ampliem os mecanismos para a captação regular de recursos, a exemplos das linhas de crédito oferecidas pelo Ministério das Cidades. Deve-se ainda aperfeiçoar as ferramentas que garantam a aplicação efetiva destes e a sustentabilidade dos serviços. Neste sentido, o PAC Saneamento e o Plano Nacional de Saneamento sinalizam um grande avanço, e demonstram ao setor a prioridade com que os governos vêm discutindo o assunto. É essencial também que as companhias de saneamento e os municípios interessados tenham um banco de projetos atualizados capazes de captar tais recursos.

De maneira geral, as companhias de saneamento do Brasil têm mostrado comprometimento com o bem estar da população. Desta forma, algumas experiências valem ser ressaltadas, e é de interesse de todos que estas sejam difundidas e replicadas. Bom exemplo disto, é o Sistema Integrado de Saneamento Rural (Sisar), onde sob orientação da Cagece, comunidades gerem de forma autossustentável os sistemas de abastecimento implantados pela Companhia. No Ceará, a Cagece adotou este modelo desde 1996 e hoje atende 614 comunidades rurais, beneficiando 315 mil pessoas com a garantia de água tratada diretamente em suas residências.


São exemplos concretos como este que demonstram que a universalização do saneamento não é uma utopia, é sim um desafio possível dentro dos rumos que já começaram a ser traçados. Com uma visão da questão em nível nacional, confirma-se a certeza de que os resultados são ampliados pela prioridade dada ao saneamento e pela mobilização de todos os agentes envolvidos.

30.07.2011