Com a formação, a Cagece abre oportunidades para que as mulheres ocupem, com excelência, um espaço no mercado de trabalho que sempre foi visto como restrito.
Cagece realiza entrega dos certificados do 1º Curso de Bombeiro Hidráulico exclusivo para mulheres
A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) marca um momento histórico ao realizar o primeiro curso de formação de bombeiras hidráulicas destinado exclusivamente a mulheres. A iniciativa pioneira visa promover a autonomia econômica feminina e transformar a paisagem de uma profissão tradicionalmente dominada por homens.
O curso foi realizado a partir da parceria entre a Gerência de Pessoas (Gepes), por meio do Programa de Defesa da Mulher (Prodem), e a Gerência de Responsabilidade e Interação Social (Geris), com o apoio da Casa da Mulher Brasileira, da coordenação de Autonomia Econômica da Secretaria das Mulheres e do 1º Juizado da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher.
Sâmia Andrade, coordenadora de Interação Social da Cagece, ressaltou a importância da articulação institucional para o sucesso da iniciativa. “Este curso é mais do que uma capacitação técnica; é uma ferramenta de empoderamento. Estamos oferecendo o conhecimento e a chance para que essas mulheres construam uma carreira sólida e alcancem a independência financeira em um campo que, até então, lhes era negado. Acreditamos no talento e na capacidade de cada uma delas para transformar o setor.”, disse.
A desigualdade de gênero no mercado de trabalho é uma realidade, e setores como o da construção civil e o de serviços técnicos, incluindo o de bombeiro hidráulico, refletem essa disparidade. Ao criar uma turma 100% feminina, a Cagece assume um compromisso com a inclusão produtiva e a diversidade, desafiando estereótipos e mostrando que a competência profissional não tem gênero.
O curso foi ministrado pela servidora da Cagece Glaudênia Girão e ofereceu ferramentas teóricas e práticas necessárias para que as futuras profissionais atuem na instalação, manutenção e reparo de sistemas hidráulicos, um serviço essencial e de alta demanda. “Elas sabem muito. E saem daqui com muito mais do que a capacitação técnica, trocaram conhecimento, aproveitaram os encontros para compartilhar” conta a professora que ao final do curso, carinhosamente, distribuiu ferramentas para celebrar o início de uma nova jornada daquela turma.
Durante o encerramento das aulas teóricas, a professora Glaudênia Girão enfatizou a importância das histórias de vida da turma e do apoio mútuo compartilhado. O curso aconteceu na Casa da Mulher Brasileira e terá um segundo módulo com aulas na unidade da Cagece no Pici.
Qualificação e emprego
Outra novidade muito celebrada entre as participantes do curso foi a oferta de uma vaga de emprego na Cagece destinada exclusivamente às mulheres assistidas pela Casa da Mulher Brasileira.
O processo seletivo foi direcionado às mulheres que participaram e foram certificadas em algum dos cursos oferecidos pela Cagece, sendo estas as aptas a encaminhar seus currículos. O processo está em andamento e já cumpriu as seguintes etapas: avaliação curricular e entrevista em grupo.
Atualmente, o processo segue para a entrevista individual, que definirá a candidata a ser encaminhada para a unidade de lotação.
“A criação da vaga de Auxiliar Administrativo foi o desdobramento natural do trabalho que a instituição tem desenvolvido, que teve seu marco inicial em 2022 com a concepção do projeto, posteriormente transformado em programa. A iniciativa ganhou impulso significativo com a oferta de cursos de formação, iniciada em 2024. Foi a partir destes cursos que surgiu uma demanda explícita por parte das participantes, que manifestaram grande interesse em oportunidades de emprego na Cagece.Em resposta a essa solicitação, a organização envidou esforços para viabilizar a disponibilização desta vaga”, explicou Katiana Carneiro da Gerência de Pessoas (Gepes)
Para a assessora do 1º juizado da Mulher em Fortaleza, Aline Menezes, o curso de bombeira hidráulica para mulheres da Cagece representa um investimento direto no desenvolvimento social e econômico e reitera o valor da Cagece, que por iniciativas como essas, foi reconhecida com o Selo Justiça pela Paz em Casa, uma premiação que reconhecer projetos que proporcionem a autonomia de mulheres em situação de violência e assegurar cidadania plena.
“Durante muito tempo acreditávamos que os cursos oferecidos na Casa da Mulher Brasileira seriam ‘porta de saída’ para o enfrentamento a violência, mas percebemos com o tempo, que eles podem ser ‘porta de entrada’, de atração para que as mulheres acessem as políticas públicas e durante o percurso, muitas vezes se descubram em situações domésticas a serem enfrentadas com o apoio mútuo”, ressaltou Juliana Lima, coordenadora da autonomia econômica da Secretaria de Mulheres do Estado do Ceará, parceira da iniciativa.
Uma das alunas que se destacou no curso foi Maria de Lourdes Salviano, 64 anos. “Eu já botei mais de 3 mil tijolos pra cima, eu sei que nada melhor para uma mulher do que conquistar uma boa condição psicológica. E são momentos como esse que fazem uma pessoa como eu, de 64 anos, se sentir 30. Aprendo e prefiro eu mesma fazendo qualquer serviço”.
“Já combinamos de nos reunir na casa uma das outras e fazer os reparos que estamos precisando em nossas casas. E nada melhor que uma mulher para prestar um serviço como esse numa casa liderada por uma mulher, isso traz confiança,segurança”,disse Helena Faustino que concluiu curso e já vem trabalhando na construção civil. Helena é transplantada renal, compositora e carnavalesca, uma das vinte egressas do curso.