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Óleo de cozinha despejado na rede de esgoto pode virar combustível

Criado em Terça, 06 Julho 2010 10:30
Mais de 50 milhões de litros de óleo de cozinha provenientes de Fortaleza e RMF param na rede de esgoto.

    Cerca de 52 milhõesde litros de óleo de cozinha são jogados, todo ano, na rede de esgoto,o que equivale a 93% do total de óleo gerado na RMF. O volume foilevantado por um estudo feito pela Universidade Federal do Ceará (UFC)a pedido da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). A prática dedespejar óleo na rede de esgoto ocasiona constantes obstruções, provocaa formação de detritos sólidos e incrustação nas paredes da tubulação,aumenta do risco de poluição de cursos de água e eleva o custo final notratamento dos efluentes.

     Para resolveresses problemas, a Cagece e a UFC estão estudando o aproveitamento deóleo de cozinha como matéria-prima para a geração de biocombustívelalternativo. Pelo projeto, o óleo residual de fritura seria separadopor filtragem para retirar as impurezas e misturado a óleosprovenientes da agricultura familiar na Usina de BioDiesel de Quixadá,distante 167 km de Fortaleza. Com o óleo de fritura jogado hoje noesgoto seria possível suprir e complementar em mais de 50% anecessidade atual de insumos da Usina. A unidade de Quixadá podeprocessar até 108 milhões litros de biodiesel por ano, mas trabalha comcapacidade ociosa por falta de matéria-prima. Além de diminuir osproblemas na rede de esgoto, a ação resolveria problemas ambientais eainda iria gerar renda a famílias cearenses.

     Segundo oestudo da Cagece, é possível obter até 4,7 milhões de litros de óleopor mês na Região Metropolitana de Fortaleza, 65% destes só nomunicípio de Fortaleza. Se vendido, o óleo tratado produzido na RMFpoderia movimentar até R$ 9 milhões por ano.

     Os resultadosda análise, coordenado pelo professor Bosco Arruda, indicam que mais de46% do óleo gerado em residências em Fortaleza são jogados no esgotocontra 18% da área comercial. A maior concentração da geração de óleopor mês em cozinhas industriais provém dos seguintes bairros: Centro,Meirelles e Aldeota, gerando, respectivamente, 44.162 litros (l),42.975 l e 14.483 l. No setor residencial, destaca-se a alta produçãopor mês na Granja Lisboa, com 117.624 l, e Aldeota, com 35.047 l. Já osbairros com maior incidência de direcionamento do óleo residual para oesgoto são Mondubim, Vila Velha, Barra do Ceará e Jangurussu,destinando, respectivamente, 88.730 l, 38.956 l, 34.971L e 30.051 l àrede de esgoto. Verifica-se então que o setor residencial produz maisóleo que o setor comercial, necessitando de um extenso trabalho deeducação ambiental e de políticas de incentivo ao bom direcionamento doóleo residual.

     Segundo aCagece, uma das formas mais viáveis e eficazes de disponibilizar osvolumes de óleo, para evitar a degradação do meio ambiente, é criarbônus em contas de água dos produtores domiciliares daquele óleoresidual. O período de descarte deve ser quinzenal, feito através derecipientes adequados e acessíveis, como garrafas pet.

     Para universalizar este procedimento, a Cagecee a UFC estão estudando esquemas de coleta que envolvam associações decatadores, em políticas de parceria e responsabilidade social. Uma açãode grande impacto pode ser a injunção da Cagece junto às câmarasmunicipais no âmbito da RMF no sentido de aprovar lei que incentive oscidadãos e empresários a transacionar ou doar o óleo gerado.

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